sexta-feira, 29 de novembro de 2013

estes dias.













salsichas que ela adora. apanhado a roubar cereais. coisas que encontro nos meus cereais. a hora preferida do dia dele. a passear. rapazinho engraçado. pedi-lhe para sorrir. caril de vegetais para o lanche. sesta. ele adora os livros da anita: ela não empresta porque ele rasgou uma página. de mãos dadas: ela insiste sempre. ela.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

a tia má.

às vezes sento a maria ao meu colo e falo-lhe de lisboa.
faço-o porque não quero que ela esqueça.
falo de sítios e de pessoas.
sempre que lhe pergunto do que ela tem saudades ela dá a mesma resposta.
da tia má.

a minha irmã foi-nos visitar: a maria tinha acabado de aprender a gatinhar.
ela ia da sala à cozinha quando a minha irmã lhe deu um toque de incentivo com o pé. a maria caíu e bateu com a cabeça: da cozinha ele gritou: a tia é má. desde esse dia ela é a tia má. é assim que a maria a chama: quero fazer desenhos com a tia má.

a semana passada a maria ligou à tia má do telemóvel das princesas. falou muito com ela.
disse: tia má, estás em portugal?
eu disse-lhe que não:  a tia má está na índia.
eu quero ir à índia.
disse-lhe com um sorriso na minha cara: não podes ir à índia filha. 
ela olhou para mim muito séria: chorou. deu-me um abraço. disse: quero ver a tia má.
mostrei-lhe. às vezes eu estou a fazer alguma coisa e a maria puxa-me pela perna. diz: quero ver a tia má. e eu mostro-lhe: fotografias. muitas fotografias. ela vê todas com atenção: sempre as mesmas. sorri. e quando tem o coração cheio diz: já chega.
 
elas têm um relação especial: não vejo a maria ser assim com outra pessoa. não sabia o quanto era especial até vir para aqui. ela fala nela todos os dias. a tia má tratava-a de forma diferente. raramente lhe dava um presente. não falava com ela como se ela não fosse entender: falava com ela como uma pessoa fala com outra pessoa. chamava-a maria: não a chamava gordinha, nem amor, nem princesa. não a enchia de beijos e abraços. e a maria adora-a: brincavam. desenhavam horas a fio. faziam plasticina. a minha irmã perguntava-lhe: o que é que fizeste hoje. e ouvia-a. até ao fim. as crianças gostam que as ouçam.

a minha irmã está na índia. vendeu todas as suas coisas: o fogão. a máquina fotográfica. a mesa da sala. encheu um cofre com o que precisava e foi ser feliz: foi ajudar quem precisa. foi sem pensar muito. precisava de ir. fiquei feliz por ela. e sei que esteja ela onde estiver também se lembra da maria todos os dias: todos os dias.







terça-feira, 12 de novembro de 2013

estes dias.

estes dias: a sentir falta da minha velha máquina fotográfica.
















                           pequeno miguel: encosta a cabeça na almofada do avô.