sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

eu e os meus filhos.

a maria com o vestido que usou no dia em que fez 2 anos.
o miguel com o pijama que usou no dia em que fez 1 ano.

eu e os meus filhos: um de cada lado, a sorrir para uma lente.



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

o convite.

recebi um convite: para escrever um texto sobre os nossos dias, sobre a rotina, sobre a nossa vida. o convite é de uma mãe como eu, que escreve num blogue. ela enviou-me exemplos de outras mães: dias normais de mães como eu, que vivem para os filhos. no final do convite ela escreveu: envie com o texto uma foto sua sozinha ou com as crianças. 
no dia em que eu recebi este convite fiquei triste. neste dia: quando li o que ela escreveu. eu percebi naquele momento. eu não tinha nenhuma fotografia: eu e os meus dois filhos. um de cada lado: a sorrir para a lente: só eu e eles. fiquei triste porque percebi como isto me mudou, isto de ser mãe. tiro muitas fotografias aos meus filhos: todos os dias. no banho, a dormir, na rua, sentados, a brincar, com o pai, a cara deles. e ele diz: agora tu. e eu digo que não: agora não. e em cada fotografia que eu não apareço eu vejo uma desculpa. eles na praia: e eu demasiado magra e os meus ossos a verem-se e o meu biquíni muito largo. eles no parque: e eu com uma t-shirt dele suja de iogurte e o cabelo sujo e apanhado de qualquer maneira porque caiu todo depois da gravidez e agora cresce e fica todo espetado. nos anos dela: e eu que não quero sorrir porque amamentei durante 29 meses e os meus dentes ficaram fracos e aquele bem lá atrás caíu e se eu estou feliz e sorrio vê-se um buraco. nos anos dele: cabelos brancos. na neve da noruega: roupas velhas. no nosso sofá: feia. desculpas. um dia eles vão ver as fotografias: eu nunca estive lá. não me vão ver com eles na praia. nem no parque. eu não tenho uma fotografia com ela no dia em que ela fez 2 anos. não tenho uma com ele no dia em que ele fez 1: eu não tenho uma fotografia com o meu filho ao meu colo no dia do seu primeiro aniversário.
eu não fui sempre assim. tenho muitas fotografias de quando estava grávida da maria. algumas dos primeiros meses: a dormir com ela, a dar-lhe banho, ela a sorrir comigo para uma lente. tenho poucas dos meses em que esperei pelo miguel. tenho ainda menos deste primeiro ano com ele. são cada vez mais eles, cada vez menos eu. nas fotografias e na vida. 
mas um dia eu vou querer ver: eu que era tão nova a segurar a mão do miguel enquanto andavamos pela praia. eu que tinha um sorriso tão bonito ao lado da maria no dia em que fez 3 anos. eu que usava o que se vestia na altura a levar o miguel pela primeira vez à creche. eu que era tão gira e magrinha a comer um gelado com a maria. eu com os meus dois filhos que agora já estão crescidos: sentados, um de cada lado, a olhar para a lente.
um dia eu vou ser velha: as memórias vão ser a minha companhia, vão trazer-me sorrisos. um dia eu vou querer lembrar-me. eu vou dizer as coisas que a minha mãe diz quando vê fotografias da minha infância: coisas que ela diz a sorrir.
preciso de parar de arranjar desculpas. mudar o que está errado: soltar o cabelo, comprar uma camisola para usar no meu aniversário, comer se quero engordar, sorrir sem ter vergonha, cuidar de mim, aceitar: aceitar-me. 
no dia em que recebi um convite procurei durante horas por uma fotografia: eu e eles. descobri 3: uma na maternidade, uma no jardim zoológico, uma no sofá. este ano: hoje, hoje é isto que eu quero: quero parar de me achar feia, quero uma fotografia com um de cada lado. quero estar a sorrir. 
quero fazer parte das nossas vidas.
por isso obrigada: pelo convite.
eu aceito.




 
 



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

todos os dias.

hoje. ela acordou da sesta: eu. ela olhou para mim. ela perguntou: ao que tu estás a tirar turguefias? a ti. poquê? disse: por nada. devia ter dito: porque tu és tão bonita. 
amanhã digo-lhe: quando ela acordar digo-lhe.
vou dizer-lhe todos os dias. 






migas.