segunda-feira, 31 de março de 2014

actividades em casa.

sejam gatos por um dia.


colagens.
o tio manel fez os desenhos, ela colou os materiais.


barcos na água.
eles e a água: não há nada que gostem mais.


façam pão.
para comer quentinho.


caça ao tesouro.
com desafios pelo meio. ahoy!


ensiná-los a fazer sushi.
a actividade preferida da mãe.


lisboa pela manhã.




sexta-feira, 28 de março de 2014

profissão: doméstica.

há uma guerra no mundo que eu não conhecia: é entre mães que trabalham e mães a tempo inteiro. está por todo o lado.
nunca fez parte dos meus planos ser mãe a tempo inteiro. aconteceu. aconteceu no dia em que eu e ele olhámos para ela e não fomos capazes: tinha 5 meses. nesse dia eu disse ao meu patrão que não ia voltar: ia ser mãe a tempo inteiro. financeiramente ia ser mais difícil para nós, emocionalmente mais fácil. passaram quase 3 anos.
às vezes sinto que tenho de pedir desculpa à minha mãe. ela foi mãe a tempo inteiro. ela estava lá sempre. para nos fazer bolos, desinfectar as feridas, comprar gelados, pentear os nossos cabelos. e eu às vezes tinha vergonha: dizia baixinho quando perguntavam na escola. a minha mãe é doméstica. escrevia em letras pequeninas: doméstica. naqueles dias as mães que ficavam em casa eram domésticas. a mãe da raquel era médica. a da sandra usava saltos altos, era advogada. a minha estava lá sempre: descalça, sentada no pátio a fazer-nos colares de pompons. 
as pessoas dizem que eu devia voltar a trabalhar. que me fazia bem. que tenho de sair de casa, ganhar o meu dinheiro, pensar mais em mim. nunca respondo: desisti de explicar. eu gosto disto. isto de ser mãe a tempo inteiro. isto de ser doméstica. percebo que não é para toda a gente, que para algumas mães pode ser cansativo, frustrante, desmotivador. percebo isso. percebo isso porque às vezes é: cansativo, frustrante, desmotivador. mas a maioria das vezes é bom. é tão bom: estar sempre aqui. fazer-lhes bolos, desinfectar-lhes as feridas, comprar-lhes gelados, pentear-lhes os cabelos.
não o trocava por nada: o prazer de ver um ser humano nascer, crescer: cada descoberta, cada conquista. vi-as todas. eu estive lá sempre. agradeço a sorte que tenho: estes anos com eles, todos os dias, todo o dia. no fim do dia, quando deito a cabeça na almofada sinto-me bem. realizada. também tenho esse direito: de me sentir realizada.
por isso esta guerra que há no mundo eu não percebo: entre mães que trabalham e são sempre acusadas de passar pouco tempo com os filhos e mães que ficam em casa e são sempre subestimadas por quem trabalha. digo-o com orgulho: quando me perguntam digo: sou mãe, estou em casa com os meus filhos. e às vezes ele chega a casa e eles correm à nossa volta e gritam e eu olho para ele e respiro fundo e digo que tivemos um dia difícil:  houve birras, leite entornado, ninguém comeu a sopa, não consegui estender a roupa, ela bateu com a cabeça, não almocei. e depois calo-me. calo-me porque na minha cabeça ele teve um dia pior: porque eu também vi a maria a desenhar uma flor. vi o miguel a acordar da sesta e a esfregar os olhos enquanto sorria. vi-a a dançar de mão dada com ele e a darem gargalhadas muito alto. adormeci-a nos meu braços. ouvi-o dizer balão pela primeira vez. ouvi-a a perguntar-lhe: miguelito gostas de mim? abracei-a quando ela escorregou e bateu com a cabeça. ouvi-a dizer obrigada mamã. calo-me porque fizemos um bolo juntos e comemos uma fatia enquanto ainda estava quente. porque levei-os à janela para verem a chuva e eles estenderam as mãos. eles estavam felizes a sentir a chuva. calo-me porque lhes dei banho, enrolei-os numa toalha e levei-os, um de cada vez, encostados ao meu peito para cima da nossa cama. fiz tudo devagar: tinhamos todo o tempo ali, na nossa casa. calo-me: na minha cabeça ele teve um dia muito pior. na minha cabeça de doméstica. na cabeça de quem gosta disto de ser mãe a tempo inteiro. conto-lhe todas estas coisas e ele sorri: sei que ele gostava de cá estar. sei que ele não aguenta mais de três dias sem trabalhar. não somos iguais.
as mães não são iguais.
e eu admiro-as: as mães que trabalham. as mães que estão longe dos filhos a trabalhar para lhes dar o que eles precisam. o que elas querem conquistar: as que o fazem por eles, por elas. as que perdem momentos: momentos que elas não sabem que perderam. as que saem de casa e deixam os filhos ainda a dormir: as que não os vêem despertar devagarinho. as que comem sanduíches de perú desfiado em frente ao computador enquanto trabalham depressa para sairem mais cedo: as que não fazem o avião todos os dias ao almoço. as que chegam cansadas e têm de fazer tudo depressa: as que não passaram a tarde no parque a subir o escorrega num dia de sol. as que deitam a cabeça na almofada e sentem que passaram naquele dia pouco tempo com seus filhos: eu estive lá sempre. para mim elas são as maiores. digo-o sem problemas: eu tenho dias difíceis. trabalho muito: limpo, aspiro, carrego, passo: mas as mães que têm de trabalhar para mim são as maiores. os pais.
um dia serei uma. o meu coração vai estar pequenino nesse dia.

mãe: outra vez.
fi-lo outra vez: disse que as que mães que trabalham são mais fortes do que nós. mas vês todas as coisas que elas perdem? leste aquilo que dizia que elas têm filhos para os verem a dormir? são as maiores. eu sei que tu me entendes: tu que estavas lá sempre.
e sei que algumas delas também acham que nós, domésticas, somos as maiores.


quarta-feira, 26 de março de 2014

actividades em casa.

pintar com balões.
o miguel adorou.


parede pegajosa.
actividade tranquila para fazerem antes de dormir.
papel transparente na parede e muitas coisas para colar.
colar outra folha de papel por cima para guardar.
a maria adorou.